O termo “Pentateuco” se deriva de duas palavras gregas “pente” (cinco) e “teucos”(volumes). Este termo não é encontrado nas Escrituras, e certamente também não era assim denominado quando o rolo foi dividido assim em cinco porções (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Esta classificação foi feita provavelmente pelos tradutores gregos quando da Septuaginta. Alguns críticos modernos falam de um Hexateuco (seis livros) pois introduzem o livro de Josué como parte integrante deste grupo. Todavia, este livro é de um caráter completamente distinto dos outros cinco livros, e tem um autor diferente. Constitui-se na verdade como o primeiro de uma série de livros históricos que se inicia com a entrada dos Israelitas em Canaã (cf. veremos futuramente).
Os livros que compõem o Pentateuco são chamados também de “Lei de Moisés”, o “Livro da Lei de Moisés”, o “Livro de Moisés”, ou como os judeus designavam, a “Torá” ou “Lei”. Que em sua forma presente procede de um único autor é demonstrado por seu plano e permeia o seu conteúdo inteiro. A revelação de Deus e de sua pessoa, pela instrumentalidade de Moisés, é tão harmoniosa que tudo quanto é descrito dEle antes do tempo (os primeiros capítulos de Gênesis) é para ser preparatório para tudo quanto seráainda revelado.
No transcorrer dos tempos levantou-se uma certa escola de críticos que discordaram da autoria mosaica e por um processo de “estudo científico” concluíram que o Pentateuco não passava de uma coleção misturada de histórias, muitas delas inventadas e amarradas por um conjunto de editores. Estes críticos estão dispostos a atribuir fraude e conspiração dos autores bíblicos, que buscavam aceitação de seus escritos, que segundo eles foram compostos no período de Josias e em parte em Esdras e Neemias, e depois distribuídos como sendo o trabalho de Moisés. Aqui não é o lugar para entrarmos em detalhes destas teorias. Mas afirmamos claramente, que estas “críticas” degradam os livros do Velho Testamento e os coloca ao nível dos demais escritos meramente humanos e por isso mesmo falíveis, e que as argumentações destes “críticos” são especulações completamente insustentáveis. Inclusive entre eles próprios não há um consenso chegando-se a conclusões totalmente conflitantes.
Rev. Ivan Pereira Guedes
A palavra “teuchos” significa propriamente um instrumento. Essa palavra veio a ser usada para designar um receptáculo para guardar rolos de papiros, e também para designar o próprio rolo. Daí o seu sentido de volume ou livro.
Os Samaritanos também tinham um Pentateuco, porém, modificado em favor ou em nome da teologia, hermeneutica e adoração doméstica deles. A origem do Pentateuco Samaritano é motivo de muitas controvérsias, sendo as opiniões mais aceitas: a) que entrou ao uso dos samaritanos como herança das dez tribos quando da divisão do Reino; b) que foi introduzido por Manassés na hora da fundação do santuário Samaritano no Monte Gerezim.
“Ambos Judeus e Cristãos reconhecem que esses livros exibem uma unidade notável. A unidade histórica é vista em que onde um livro termina cronologicamente, o outro começa. Por exemplo, Êxodo termina com a construção do Tabernáculo e a presença de Deus vindo sobre ele; Levítico começa com Deus falando do Tabernáculo. A unidade teológica é também clara. Todos cinco livros são relacionados aos temas de promessa, eleição, redenção, aliança e/ou pacto, lei, e terra”. Home Page of Bing Bayer.
Esta teoria é chamada de hipótese documentária ou a teoria do JEDP. "J" representa Jehovah ou Yahweh, a fonte mais antecipada, escrita por volta de 900 a.C.; "E" representa a fonte chamada Elohim, escrito por volta de 800 a.C.; "D" representa a fonte Deuteronômica escrito já nos anos 621 a.C.; e "P" representa a fonte Sacerdotal, escritas no período de 500 a.C.
Um dos primeiros a levantar dúvidas sobre a questão da autoria Mosaico do Pentateuco foi Baruch Spinoza que insinuou em 1671 a possibilidade de seu autor ter sido Esdras. Em 1753 Jean Astruc, um médico e professor da Faculdade Real de Paris, partindo de suas observações ao longo do livro de Gêneses, e até o 6º capítulo de Êxodo, encontra indícios de dois documentos originais, cada um caracterizado pelo uso distinto dos nomes de Deus; um pelo nome Elohim, e o outro pelo nome Jehovah. Ele supôs então que Moisés utilizou-se de pelo menos mais dez outros documentos originais na composição da parte mais recente do trabalho dele, além destes dois documentos principais. Neste caminho aberto por Astruc seguiu-se inumeros escritores alemães e que por sua vez desdobrou-se em inumeráveis hipótese. Para maiores informações sobre o pensamento destes “críticos” veja o material de Clyde T. Francisco, Op. cit. pp.25-33.
Este material foi utilizado em aulas ministradas em diversas escolas de teologia: Seminário Bíblico Brasileiro (SP); Faculdade Latino Americana de Teologia Integral (FLAM-Arujá); Intituto Bíblico – Rev. João Silva (SP); Instituto Bíblico do Presbitério de Santos.
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